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Jovens em São Paulo Lazer, consumo cultural e hábitos de ver t.v.

Jóvenes en São Paulo Ocio, consumo cultural y hábitos de ver t.v.

Young people in São Paulo Leisure, cultural consumption and habits of seeing t.v.

Silvia Helena Simões Borelli*


* Profesora Departamento de Antropología. Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais, PUC-SP. São Paulo. Brasil


Resumen

El objetivo de este artículo es analizar, a través de un recorte cualitativo, las relaciones de los jóvenes –entendidos como una categoria nómada–, con las diferentes alternativas de tiempo libre, consumo cultural, medios de comunicación y nuevas tecnologías.

La perspectiva adoptada supone que estas articulaciones resulten en un conflictivo proceso de mediaciones en el cual los gustos, elecciones, estilos e identidades adoptados están directamente vinculados a las siguientes variables: cotidiano vivido; clase social y grupos a que pertenecen; género; sensibilidad y percepción que desenvuelven en relación a los territorios de ficcionalidad y a las dimensiones de tecnicidad. Aunque se puedan concebir mecanismos de apropiación cultural con características más universalizantes, las particularidades se revelan a través de condiciones concretas de clase, género, etnia, entre otras posibilidades.

Las informaciones aquí introducidas, resultan de la realización de una Investigación Cualitativa de Recepción de Telenovelas, que permitió que un grupo de investigadores de varias universidades y áreas del conocimiento estuvieran en contacto con estos jóvenes y sus familias durante la transmisión, en 1997, por la Rede Globo de Televisão, durante el prime-time, de la telenovela A Indomada (Aguinaldo Silva e Paulo Ubiratan).

Abstract

The objective of this article is use a qualitative approach to analise the relationships between young people, understood as a nomad category, and the different alternatives of free time, cultural consumption, mass media, and new technologies.

The perspective adopted here supposes that these articulations will result in a conflictive process of mediations, in which the adopted tastes, choices, styles, and identities are directly linked to the following variables: daily life, social class and the groups they belong to, gender, sensitivity and perception which involve territories of fictionality and dimensions of technicality. Although it is possible to conceive of mechanisms of cultural appropriation with more universal characteristics, the particularities are revealed through concrete conditions of class, gender, and ethnic group, among others.

This information is the result of qualitative research on the reception of soap operas.This study has allowed a group of researchers from various universities and areas of study to be in contact with these young people and their families during the soap opera A Indomada broadcast in the Rede Globo de Televisão during prime time in 1997.


Pesquisa, metodologia, referenciais teóricos

Os jovens aqui referidos moram na cidade de São Paulo, com suas respectivas famílias, em bairros e moradias diferenciados, no contexto da metrópole paulistana. O acompanhamento de seu cotidiano foi possível durante a realização de uma Pesquisa Qualitativa de Recepção de Telenovelas1, que permitiu que ficássemos em contato com eles e suas famílias, durante a veiculação, no ano de 1997, pela Rede Globo de Televisão, no prime-time, da telenovela A Indomada (Aguinaldo Silva e Paulo Ubiratan).

Antes de falar de suas percepções, expectativas, desejos; e de seus hábitos, consumo e inserção na vida cotidiana da metrópole, vale a pena um rápido comentário sobre o perfil e o modo de vida das famílias nas quais estes jovens estão inseridos.

O primeiro critério de seleção incidiu na escolha das famílias por tipos de moradia - casa em favela, habitação auto-construída, apartamento financiado por planos de habitação do Governo Federal, casa própria em condomínio “fechado”, “seguro” e “de alto luxo” - e garantiu a variação das condições social, econômica e cultural e, consequentemente, a localização destas famílias em diferentes estratos no contexto mais geral da sociedade.

Além disso, selecionamos famílias cujos modelos de composição apresentam-se mais condizentes com os novos perfis familiares que compõem a vida cotidiana nas grandes cidades brasileiras: mulheres sem parceiros, que se responsabilizam pela criação dos filhos; filhos adotados convivendo com filhos biológicos; só mulheres, mãe e filhas, vivendo em uma única casa; família nuclear, mas de característica extensiva, em função do tipo de moradia: há, no fundo do terreno, uma pequena casa conjugada onde sempre moram outros parentes; um casal vivendo, cada um, uma segunda relação, com filhos atuais e de casamentos anteriores; família nuclear, com três filhos, sendo que duas são gêmeas e todos são adotados; e a presença de uma família de descendência afro-brasileira que permitiu a especificidade da reflexão sobre diferentes etnias no contexto mais geral da análise.

Com isto, não só foi possível equacionar mudanças, cada vez mais crescentes, na composição familiar, como também incorporar outras variáveis, além das basicamente sócio-econômicas, fundamentais para a análise, como as de gênero, geração, etnia, nível de escolaridade, etc.

A pesquisa contou com a participação de um grupo de pesquisadores2 e teve sua coleta de dados e análise organizadas ao redor de um conjunto significativo de instrumentos de trabalho e de combinação de técnicas de pesquisa3 que garantiram um excelente nível de reconhecimento do campo e de segurança na elaboração da análise e da interpretação.

Os referenciais teóricos partiram de um diálogo com os estudos de produção e recepção mediáticas, fundamentaramse, prioritariamente, na teoria das mediações preconizada por Jesus Martín- Barbero4 e incidem em alguns princípios que merecem ser comentados: de que a vinculação entre produtores, produtos e receptores se dá por meio de um permanente processo de negociação simbólica; nele, os receptores relacionam-se com os meios de comunicação, através de um conjunto de mediações, que lhes permite a apropriação, o uso e a atribuição de significados particulares; supõe, também, a existência de um repertório compartilhado construído por meio de narrativas capazes de ativar hábitos e aptidões culturais e técnicas, que resultam tanto de um pacto de recepção, quanto de uma competência textual narrativa passível de acionar memórias, repor tradições e matrizes culturais.

As mediações selecionadas para este trabalho foram: cotidiano - cenário espacial e temporal onde se efetiva a dinâmica familiar, as rotinas e as práticas dos receptores; subjetividade - a possibilidade tanto de construção das identidades e sensibilidades que operam na relação entre indivíduo e meios de comunicação, quanto de individualização das relações no contexto das histórias de vida familiares; gêneros ficcionais - territórios de ficcionalidade (melodramas, comicidades, narrativas policiais, etc), entendidos como matrizes culturais de produção e reconhecimento de sentidos, ativadoras de competências culturais e formadoras de repertórios compartilhados na relação entre produção e recepção; e, finalmente, videotécnica - espaço de reconhecimento dos dispositivos videotécnicos de produção e recepção e responsável, também, pela constituição dos já referidos repertórios compartilhados.

De que jovens se fala5?

O quadro abaixo relacionado, permite-nos visualizar o perfil e as condições sociais básicas dos jovens envolvidos nesta pesquisa. Eles têm entre 10 e 20 anos; todos freqüentam a escola, do 1º grau à faculdade; são brancos e afro-brasileiros; e o tipo e o tamanho de cada habitação - entre 28 e 205 m2 -, aliados à desmedida oscilação da renda familiar - entre 100,00 e 4000,00 dólares - revelam o profundo grau de desigualdade que caracteriza os diferentes grupos sociais no Brasil. A leitura deste quadro permite, ainda, a observação e reiteração do óbvio: a existência de uma inevitável relação entre renda familiar e qualidade de vida, que faz com que as escolas sejam melhores ou piores, que os jovens tenham mais ou menos acesso ao lazer e a itens prioritários do consumo cultural, que o atendimento à saúde seja precário ou acessível e que sua relação com os meios de comunicação se estabeleça mediada por um repertório inerente à sua vida cotidiana.

Quadro n° 1

nome/familia idade tipo/moradia escolaridade etnia renda familiar (US$ - mensual)
FAMILIA 1   casa favela - 28m2     100,00
Fernanda 11   4a série - 1° grau branca  
Sheila (adotiva) 10   3a série - 1° grau afro-brasileira  
FAMILIA 2   casa auto-construida - 80m2     750,00
Juliana 20   2° grau completo afro-brasileira  
Joana 16   2a série - 2°grau afro-brasileira  
Joao Paulo 12   6a série - 1°grau afro-brasileira  
FAMILIA 3   apartamento financiado - 60m2     2100,00
Taitane 14   7a série - 1° grau branca  
Mauricio 12   4a série - 1° grau branca  
FAMILIA 4   casa condominio luxo - 205m2     4000,00
Flávio (adotivo) 20   3° grau incompleto branca  
Paula (adotiva) 18   3a série - 2° grau branca  
Beatriz (adotiva) 18   3a série - 2° grau branca  

É importante ressaltar, nesta caracterização, que o cotidiano destes jovens foi apreendido dentro do circuito da casa e da família e não em livre trânsito pela metrópole6, espaço de onde emergem inúmeras outras informações sobre modo de vida, expectativas, violência, lazer e consumo cultural. Isto não impede, entretanto, que o grupo de jovens aqui referido seja assumido, teórica e metodológicamente, não como um bloco homogêneo, mas como um objeto nômade, de contornos difusos. Assim concebido, este objeto afasta-se da perspectiva da criminalização - ou do conformismo, inerente às classes médias e da delinqüência, marca das camadas pauperizadas -, normalmente atribuída à figura social da juventude. Distancia-se, também, da idéia de que o adolescente vive apenas um momento de passagem entre a infância e a idade adulta, em que predominam imaturidade, instabilidade, irresponsabilidade, improdutividade7.

O que, na realidade, parece ocorrer com os jovens, nestes contextos de contemporaneidade, diz respeito à necessidade de adequação às novas formas de sociabilidade geradas num mundo de turbulências e transformações que alterou parâmetros de referência e sentido e obrigou que todos equacionassem tanto o respeito às antigas tradições - família, instituições -, quanto incorporassem, com rapidez e eficiência, as novas referências colocadas pela mundialização da cultura e, consequentemente, pelo mercado cultural de bens simbólicos8.

Jovens diante do consumo, da TV e da vida

Ainda que o consumo esteja diretamente vinculado às condições sócio-econômicas e culturais das famílias - afinal, pauperização e exclusão social são dados inquestionáveis! - e a referência ao habitus apareça como um elemento bastante significativo, não é possível cristalizar ou reproduzir o gosto, o estilo9 e a escolha dos jovens aos exclusivos parâmetros das posições ocupadas pelas famílias na hierarquia social. Enquanto as gerações que os antecedem tendem a dialogar com modelos mais conservadores de conduta e percepção, os jovens estariam mais aptos a introjetar novas formas de sensibilidade e a assumir esta perspectiva nômade que os torna habilitados a apreender e a viver o mundo através de fluxos transversais que recortam, indistintamente, vários territórios e classes sociais. Aos cotidianos em fluxo e às novas formas de sensibilidade - ou estruturas de sentimentos10 - deveria corresponder uma reflexão capaz de questionar a rigidez de um certo tipo de conhecimento que privilegia a reprodução, em detrimento de um saber mais errante e menos territorializado.

No caso particular dos jovens envolvidos nesta pesquisa a desigualdade social é evidente e interfere diretamente no consumo material de bens e na atitude diante da vida. Um bom exemplo de caracterização deste contexto pode ser observado na análise comparativa do estilo de vida das Famílias 2 e 4, compostas por jovens de faixa etária próxima, entre 16 e 20 anos11: os de estrato social mais elevados (Família 4) nem sempre trabalham, normalmente fazem faculdade ou estão se preparando para ela, vão com regularidade ao cinema e a shopping centers, freqüentam bares e festas, têm aulas de piano, ballet ou dança de salão e praticam hipismo, futebol, patinação e musculação; possuem um alto padrão de conforto, que pode ser verificado pela quantidade e diversidade de aparelhos eletrodomésticos, eletroeletrônicos, equipamentos de informática e automóveis de que são usuários; e passam boa parte do tempo questionando o comportamento tradicional e conservador dos pais que os impede de assumir novas atitudes, principalmente aquelas que dizem respeito aos comportamentos vinculados à sexualidade e ao prazer e que interferem, mais diretamente, no cotidiano feminino.

Já os jovens que vivem na periferia (Família 2) começam a trabalhar muito cedo12, sonham com a possibilidade de cursar uma faculdade e manobram com hipóteses como a de fazer um curso de prótese, já que trabalho num consultório dentário ou um curso para modelo e manequim, mas sei que é difícil, muita concorrência! Convivem em suas casas com um acervo de eletrodomésticos - freezer, batedeira, geladeira, secadora de roupa - e aparelhos eletro-eletrônicos13 - vídeo cassete, aparelho de som, dois televisores, telefone e TV a cabo; quando saem do universo doméstico, ganham a cidade para ouvir música e dançar em danceterias populares; e o lazer periódico refere-se, para os rapazes, ao futebol jogado em gramados do bairro. Ouvir música e assistir à televisão apresentam-se para todos, rapazes e moças deste estrato social , como grandes referências de ocupação regular do tempo livre e de reconhecimento de novas formas de sociabilidade que mexem com seu imaginário e os impele a ir em busca de novas alternativas para o cotidiano. Assim como as jovens da família anterior, estas também questionam a moral religiosa e familiar e reivindicam uma maior abertura em relação aos tabus e proibições, inerentes à ordem da sexualidade.

Vale ressaltar que escutar música e dançar aparecem como atividades que independem da classe social e fazem parte do cotidiano de todos os jovens aqui envolvidos. Há uma preferência comum por estilos musicais como samba, pagode e axé que é compartilhada, indistintamente por todos, com apenas um destaque: a predileção pelo regaee, manifestada pelos jovens da Família 2, de descendência afro-brasileira.

Nota-se que um dos elementos norteadores do consumo cultural destes jovens de diferentes estratos sociais diz respeito ao relacionamento que estabelecem com as novas tecnologias, geradoras de novas formas de sensibilidade, fundamentalmente, computadores e internet ou mesmo videogames e outras variedades de jogos eletrônicos.

Ainda que, em 1997, ano de realização da pesquisa de campo, os usos da internet e do computador estivessem em ascensão, mas não tão difundidos quanto hoje14, podese observar que, para os jovens de inserção mais abastada (Famílias 3 e 4), isto já se colocava como opção: possuíam computadores instalados em suas próprias casas, mesmo que estes não estivessem incorporados, com regularidade, à vida cotidiana. Entretanto, mesmo para uma das meninas moradoras da favela (Família 1), a aula de computação na escola era esperada e desejada, pois apontava, com certeza, para um novo e fantástico mundo de possibilidades e alternativas, nem sempre claras, e cujas razões objetivas não podiam ser ainda verbalizadas; mas o texto, escrito no computador, sobre o homem e o meio ambiente tornavase uma promessa, um horizonte de expectativas e possibilidades.

Medo e violência fazem parte do cotidiano de todos os jovens e compõem o cenário espacial vivido na metrópole, independentemente da classe social a que pertencem. A violência tornou-se uma categoria mundializada, transnacional e transmediática que atravessa, indistintamente, sociedades e grupos sociais. Entretanto, sabemos há muito, que os jovens da favela e das habitações de periferia convivem mais de perto com esta realidade. Trafegar pelas ruas da cidade supõe correr riscos e aprender a conviver com o medo: Eu conheço esse pedaço todinho; só não vou para longe, porque tenho medo de ser seqüestrada, assaltada. Minha casa já foi assaltada, queriam roubar uma televisão da minha mãe. Eu tinha cinco anos. Foi muito triste, minha mãe quase morreu. Mas não gosto de lembrar disso, porque começo a chorar (Sheila, Família 1).

Ao cenário de violência urbana mistura-se outro, da tela da TV, que reforça, por um lado, a perversa teia de relações que articula meios e medos15: Adoro filme de bangbang na TV. Fico ali sentada e me desligo do mundo. Gosto de bangbang porque tem muitos tiros e todo mundo dá ‘porrada’ um no outro: aí eu gosto! (Sheila, Família 1). Entretanto, quando solicitada a responder sobre os tiroteios na favela real, a mesma garota afirma: Só gosto de tiros na telinha, porque aqui é vida real, aqui o tiro acerta em gente de verdade: lá não! Na telinha, não é de verdade; na telinha eles se protegem com coletes a prova de bala; aqui, na verdade, a gente morre: lá não!

Mesmo que os jovens de faixa etária semelhante, mas de estratos sociais opostos (Família 2 e 4), afirmem não gostar de televisão - assisto a pouquíssima televisão; assisti quando criança, depois dos 13 anos parei, acho que cresci! -, a observação de seus cotidianos nem sempre confirma estas declarações e revela, pelo contrário, que a televisão está bastante presente nas rotinas diárias e diminui ou aumenta de intensidade, de acordo com as maiores ou menores perspectivas de lazer. Talvez seja interessante observar que a recusa ideológica da televisão permite explicitar a existência de um critério já incorporado de distinção que hierarquiza os campos sociais e fabrica um discurso que transforma a TV em produto pouco legitimado16 diante do cinema, da música e de outros campos, como o teatro, por exemplo, quase inacessível a parcelas carentes da população.

Diante dos numerosos influxos resultantes de um processo desigual e aguçado de modernização e frente a uma desordem cultural que parece indicar como única possibilidade, a perda de rumo, os jovens seguem tentando construir identidades e modos de vida. Ora respondem por algumas características universalizantes inerentes à sua condição de jovem - gostam das mesmas músicas, ouvem as mesmas rádios, lêem revistas especializadas, preferem filmes de aventura e suspense, assistem aos mesmos programas de TV -, ora replicam, particularizando situações, de acordo com sua própria condição de classe, escolaridade, etnia, gênero. Atravessam e invadem territórios; subvertem a ordem, na tentativa de escapar da rigidez institucional, familiar e da perversa desigualdade social; adequam-se e ocupam novos cenários desenhados no bairro e na cidade; buscam construir repertórios compartilhados negociando sentidos e articulando novas tecnologias, narrativas mediáticas e narrativas do cotidiano geradoras de novas formas de sociabilidade, percepção e sensibilidade.


Citas

1 Recepção de telenovela: uma exploração metodológica. Pesquisa Interinstitucional, financiada pelo CNPq e FAPESP, entre os anos de 1996 e 1999 e articulada a três universidades: Universidade de São Paulo (USP - Escola de Comunicação e Artes), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP - Faculdade e Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Socais) e Universidade Estadual Paulista (UNESP/Bauru - Faculdade de Psicologia) (No prelo).

2 Dezoito, no total, entre estudantes de graduação, mestrado e doutorado das áreas de ciências sociais e comunicação, além de três pesquisadoras doutoras das áreas de comunicação, antropologia e psicologia (M. I. V. Lopes, S. H. S. Borelli e V. R. Resende).

3 Entrevistas: do Cotidiano, dos Gêneros Ficcionais, da Produção/Videotécnica e da Subjetividade; Grupos de Discussão; História de Vida e História de Vida Cultural; Observação Etnográfica; Questionário do Consumo; Telenovela Reeditada; Mídia Impressa.

4 J. Martín-Barbero. De los medios a las mediaciones. Mexico. G. Gili. 1987. Estão também presentes, e de forma significativa, as reflexões de A. Mattelart, A. Giddens, A. Gramsci, D. Morley, E. Morin, G. Simmel, G. Orozco, I. Calvino, J. Lull, J. Fiske, J. Gonzalez, M. de Certeau, M. Foucault, M. Bakhtin, N. G. Canclini, P. Bourdieu, R. Williams, S. Hall, T. W. Adorno, T. Todorov, W. Benjamin, entre outros brasileiros e latino- americanos que desenvolveram trabalhos nesta área.

5 Não há, aqui, espaço possível para o desenvolvimento de uma reflexão sobre o “conceito” de juventude no mundo contemporâneo. Há, entretanto, um diálogo que já incorporou referências acumuladas nos trabalhos de alguns pesquisadores que analisaram esta temática. Sem qualquer preocupação em esgotar referências, cito, entre eles: A. McRobbie. “Youth, media, postmodernity”, Postmodernism and popular culture, London, Routledge, 1994; C. F. Pampols. La tribu juvenil, Torino, L’Occhiello, 1988 e “De las bandas a las culturas juveniles” Estudio sobre las Culturas Contemporaneas, México, CUIS, Universidad de Colima, vol IV, nº 15; E. Morin. “Juventude”, Cultura de massa no século XX. Espírito do Tempo 1: neurose, Rio de Janeiro, Forense Universitária, 1967; H. A. Giroux. Fugitive cultures, London, Routledge, 1996; H. J. Cubides, M. C. L. Toscano e C. E. Valderrama. (org). Viviendo a toda: jóvenes, territorios culturales y nuevas sensibilidades, Bogotá, Siglo del Hombre, 1998; J. M. Seca. Vocations rock, Paris, Méridiens Klincksieck, 1988; K. Gelder and S. Thornton. The subcultures reader, London, Routledge, 1997; M. U. Castro-Pozo. Por los territorios del rock, México, Causa Jovem/CIEJ/ CNCA, 1998; S. Thornton. Club cultures: music, media and subcultural capital, Cambridge, Polity Press, 1995; V. Walkerdine. “La cultura popular y la erotización de las niñas”. J. Curram, D. Morley e V. Walkerdine (comp), Estudios culturales y comunicación, Barcelona, Paidós, 1998.

6 Ver sobre trânsitos juvenis na metrópole: J. M. O. Ramos e S. H. S. Borelli, “Os office-boys e a metrópole: lutas, luzes e desejos” In: Revista Desvios. Nº 4. Rio de Janeiro. Paz e Terra. 1985. pp. 92-108.

7 J. Martín-Barbero. “Jóvenes: des-orden cultural y palimpsestos de identidad”. H. J. Cubides, M. C. L. Toscano e C. E. Valderrama. (org). Viviendo a toda: jóvenes, territorios culturales y nuevas sensibilidades, op. cit, p. 22-23 e 30.

8 Rossana Reguillo acrescenta a este quadro, outras variáveis: o triunfo do discurso neoliberal, o empobrecimento crescente de amplos setores da população e a descrença dos canais de representação, principalmente partidos e sindicatos (“El año dos mil, ética, política y estéticas: imaginarios, adscripciones y prácticas juveniles”. H. J. Cubides, M. C. L. Toscano e C. E. Valderrama. (org). Viviendo a toda: jóvenes, territorios culturales y nuevas sensibilidades, op. cit, p. 59).

9 Os conceitos de habitus, gosto de classe e estilo de vida são aqui utilizados de acordo com P. Bourdieu. Ver, entre outros trabalhos: La distinción, Madrid, Taurus, 1991.

10 As noções de fluxo e estrutura de sentimento são de R. Williams e podem ser localizadas, entre outros trabalhos, em: Marxismo e literatura, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1979 e The long revolution, London, Peguin Books, 1984 .

11 Ver no Quadro 1 informações gerais sobre as famílias que serão freqüentemente citadas daqui para frente. Os trechos grafados em itálico foram retirados das entrevistas realizadas e reproduzem fragmentos das falas destes jovens.

12 E isto se agrava, ainda mais, quando se trata da Família 1, que vive na favela: Fernanda, de 11 anos, trabalha nas ruas, como vendedora ambulante; Sheila, de 10 anos, trabalha com a mãe, como empregada doméstica, em casas particulares.

13 A posse deste tipo de aparato doméstico diminui, expressivamente, quando se trata da Família 1.

14 Algumas informações sobre uso da internet no Brasil: 1) Dados de uma pesquisa do IBOPE realizada no início de 1998 revelam a existência de cerca 1,5 milhões de internautas, 85% concentrados nas classes A e B; 2) Outra pesquisa realizada pela MARPLAN, no mesmo período, constata que 89% dos entrevistados declaram conhecer ou ter ouvido falar em internet; entretanto, apenas 7% declara ser usuário desta nova tecnologia (Jornal Folha de São Paulo, São Paulo, 17/06/98).

15 J. Martín-Barbero. “La ciudad: entre medios y miedos” In: Imágenes y reflexiones de la cultura en Colombia. Bogotá. Colcultura. 1990 e J. Martín-Barbero. “Jóvenes: des-orden cultural y palimpsestos de identidad”. H. J. Cubides, M. C. L. Toscano e C. E. Valderrama. (org). Viviendo a toda: jóvenes, territorios culturales y nuevas sensibilidades, op.cit, pp. 28-29.

16 Distinção e legitimidade estão sendo aqui utilizados de acordo com P. Bourdieu. Ver, entre outr


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